Barca Bela
Pescador da barca bela,
Onde vás pescar com ela,
Que é tão bela,
Ó pescador?
Não vês que a última estrela
No céu nublado se vela?
Colhe a vela,
Ó pescador!
Deita o lanço com cautela,
Que a sereia canta bela...
Mas cautela,
Ó pescador!
Não se enrede a rede nela,
Que perdido é remo e vela
Só de vê-la,
Ó pescador.
Pescador da barca bela,
Inda é tempo, foge dela,
Foge dela,
Ó pescador!
Almeida Garrett
na obra Folhas Caídas
na obra Folhas Caídas
Análise do Poema
O eu lírico no poema “Bela Barca” do poeta romântico Almeida
Garrett indaga e alerta ao pescador as belezas e os perigos por sua paixão pelo
mar que muitas vezes pode leva-lo a navegar sem destino. O poema possui como
forma um quinteto ou quintilha possuindo cada um quatro versos, que soa como
uma canção ou como o próprio balanço do mar, pois a cada fim de estrofe há repetição
ou refrão: (pescador! ou pescador?)
Possui uma linguagem simples e popular típica da época em
Portugal que contemplava o delírio das grandes navegações. Diante dos fascínios
proporcionadas pelas navegações havia também no homem o medo de suas
descobertas; no poema os artifícios utilizados pelo poeta são as figuras do
pescador (que representa os navegantes, marinheiros, etc.) e a barca (as caravelas
ou navios ) narrando em poesia ou canção a paixão e destino incerto dos
navegantes.
Na primeira estrofe o eu lírico indaga ao pescador da barca
bela qual o destino da viagem. E prossegue que o destino incerto seria consequência
das noites nubladas que impossibilitaria ver as estrelas, guias dos navegantes
e viajantes (do mar e da terra). Na estrofe seguinte fala da saudade da mulher
amada que poderia enganá-lo levando a acreditar nos cantos das sereias no alto
mar, e também do medo dos viajantes das figuras mitológicas que supostamente
derrubavam as embarcações e faziam os navios desviarem das rotas. Na quarta
estrofe é possível perceber a referência as consequências das viagens sem
destino e da paixão pela sereia que levaria o pescador a ficar perdido, que
podemos associar a viagem de Cabral que ficou dias com sua tripulação sem ver
terra firme. E por volta alerta para que o pescador que fugiste da sereia, pois
ainda haveria tempo.
Referências








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