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terça-feira, 31 de março de 2015

MOMENTO LITERATURA

MOMENTO LITERATURA

Este Inferno de Amar

Este inferno de amar - como eu amo! -
Quem mo pôs aqui n'alma... quem foi?
Esta chama que alenta e consome,
Que é a vida - e que a vida destrói -
Como é que se veio a atear,
Quando - ai quando se há-de ela apagar?

Eu não sei, não me lembra: o passado,
A outra vida que dantes vivi
Era um sonho talvez... - foi um sonho -
Em que paz tão serena a dormi!
Oh! que doce era aquele sonhar...
Quem me veio, ai de mim! despertar?

Só me lembra que um dia formoso
Eu passei... dava o sol tanta luz!
E os meus olhos, que vagos giravam,
Em seus olhos ardentes os pus.
Que fez ela? eu que fiz? - Não no sei;
Mas nessa hora a viver comecei...

Almeida Garrett, in 'Folhas Caídas' 





 A obra de Almeida Garrett “Folhas Caídas” publicado pela primeira vez no ano de 1853






Retrato de Almeida Garrett, num retrato de Legrand.








Análise do poema

            O poema denominado “Este inferno de amar” é de autoria do João Batista da Silva Leitão mais conhecido pelo codinome Almeida Garrett. Este é um poeta português considerado o introdutor do Romantismo em Portugal. É o oitavo poema integrante da obra de coletâneas de poemas chamado de “Folhas Caídas” publicado em 1853, que é fruto da intensa paixão do romântico português pela Viscondessa da Luz, Maria Rosa de Montufar.
     O poeta romântico através do eu-lírico masculino reflete sobre a confusão dos sentimentos utilizando de jogos de figuras de linguagem, como antíteses, paradoxo, jogos de oposições e inclusive no título do poema.  
Através do título defrontamos com jogos de oposições, pois a partir da afirmativa que amar é um inferno, as palavras são opostas que não remete a outra em seu significado. Amar é um sentimento belo e desejado por muitos, enquanto o inferno remete-se a um lugar de sofrimento, tristeza, angústias e que todos os devotos cristões o temem. Nos trechos:

[...]
 Esta chama que alenta e consome,
Que é a vida - e que a vida destrói –
[...]

Remota novamente ao paradoxo aonde o fogo é o motivo da vida e também o que destrói. Neste ponto podemos ter chamas ou fogo como um substituto para o verbo amar. Mais à frente temos nos trechos:
[...]
 Como é que se veio a atear,
Quando - ai quando se há-de ela apagar?
[...]
Utilizando do jogo de antítese o poeta aproxima as palavras que se opõem pelo sentido (atear/apagar). Adiante temos no fragmento o seguinte trecho:
[...]
A outra vida que dantes vivi
Era um sonho talvez... - foi um sonho –
[...]
Nele composta traços característicos do momento literário denominado Romantismo, sendo estes o saudosismo, o sonho e fuga da realidade, neste fragmento o “eu-lírico” relembra o passado aonde amar era apenas um sonho. Em comparação ao presente que é doloroso quase um inferno. Já no fragmento adiante temos:
[...]
Em seus olhos ardentes os pus. 
[...]
O eu-lírico afirma que nos olhos da mulher amada despertaram do sonho o transformado em realidade confirmado no trecho que se segue:
[...]
Mas nessa hora a viver comecei...
[...]
O sonho de amar do eu-lírico é concretizado.

O poema de Almeida Garrett é composto por versos livres e melodiosos, composto por uma linguagem simplória e popular. É formado por três estrofes compostos por seis versos cada. O esquema de rimas é ABCBDD, ou seja, o segundo rima com o quarto e o quinto verso rima com o sexto. O primeiro e o terceiro não tem parta nas rimas. O que pode ser considerado um erro aos olhos dos trabalhos aos olhos de autores clássicos. Os versos são novessílabos ou eneassílabos como o acento tônico na terceira, sexta e nona sílabas; formando pausas como se constituísse um pequeno dialogo do eu-lírico consigo mesmo. Por exemplo:

[...]
Este inferno de amar - como eu amo! - 
[...]

O poema é Almeida Garrett é um dos diversos frutos do Romantismo português. Como tendência literária as obras românticas refletem as ideologias politicas, econômicas e sócias da sociedade portuguesa no século XIII. A fonte inspiração deste momento histórico e literário remete aos ideais da Revolução Francesa e da Revolução Industrial. O poeta português teve forte influência as obras de Shakespeare durante seu exilio na Inglaterra o que foi transmitido em sua poesia e reflexos de sua vida regrada de paixões e adultérios.

Autora: Fernanda Raissa
Fontes
Biblioteca digital. Coleção clássica da literatura portuguesa. Porto Editora. Pág. 22. Disponível em: file:///C:/Users/Usuario/Downloads/portoeditora_garrett_folcaidas.pdf

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