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sábado, 23 de maio de 2015

MOMENTO LITERATURA XI

Barca Bela

Pescador da barca bela,
Onde vás pescar com ela,
Que é tão bela,
Ó pescador?

Não vês que a última estrela
No céu nublado se vela?
Colhe a vela,
Ó pescador!

Deita o lanço com cautela,
Que a sereia canta bela...
Mas cautela,
Ó pescador!

Não se enrede a rede nela,
Que perdido é remo e vela
Só de vê-la,
Ó pescador.

Pescador da barca bela,
Inda é tempo, foge dela,
Foge dela,
Ó pescador!

Almeida Garrett 
na obra Folhas Caídas





Análise do Poema 

O eu lírico no poema “Bela Barca” do poeta romântico Almeida Garrett indaga e alerta ao pescador as belezas e os perigos por sua paixão pelo mar que muitas vezes pode leva-lo a navegar sem destino. O poema possui como forma um quinteto ou quintilha possuindo cada um quatro versos, que soa como uma canção ou como o próprio balanço do mar, pois a cada fim de estrofe há repetição ou refrão: (pescador! ou pescador?)
Possui uma linguagem simples e popular típica da época em Portugal que contemplava o delírio das grandes navegações. Diante dos fascínios proporcionadas pelas navegações havia também no homem o medo de suas descobertas; no poema os artifícios utilizados pelo poeta são as figuras do pescador (que representa os navegantes, marinheiros, etc.) e a barca (as caravelas ou navios ) narrando em poesia ou canção a paixão e destino incerto dos navegantes.
Na primeira estrofe o eu lírico indaga ao pescador da barca bela qual o destino da viagem. E prossegue que o destino incerto seria consequência das noites nubladas que impossibilitaria ver as estrelas, guias dos navegantes e viajantes (do mar e da terra). Na estrofe seguinte fala da saudade da mulher amada que poderia enganá-lo levando a acreditar nos cantos das sereias no alto mar, e também do medo dos viajantes das figuras mitológicas que supostamente derrubavam as embarcações e faziam os navios desviarem das rotas. Na quarta estrofe é possível perceber a referência as consequências das viagens sem destino e da paixão pela sereia que levaria o pescador a ficar perdido, que podemos associar a viagem de Cabral que ficou dias com sua tripulação sem ver terra firme. E por volta alerta para que o pescador que fugiste da sereia, pois ainda haveria tempo.



Referências


MOMENTO LITERATURA X


Cartas de Tereza 

Carta de Tereza para Simão relatando os dias vivendo no convento.

“Não receies nada por mim, Simão. Todos estes trabalhos me parecem leves, se os comparo ao que tens padecido por amor de mim. A desgraça não abala a minha firmeza, nem deve intimidar os teus projetos. São alguns dias de tempestade, e mais nada. Qualquer nova resolução que meu pai tome, dir-ta-ei logo, podendo, ou quando puder. A falta das minhas notícias deves atribuí-la sempre ao impossível. Ama-me assim desgraçada, porque me parece que os desgraçados são os que mais precisam de amor e de conforto. Vou ver se posso esquecer-me dormindo. Como isto é triste, meu querido amigo!… Adeus.”


Amor de Perdição. Camilo Castelo Branco. Coleção a obra-prima de cada autor. Editora Martin Claret. Pag. 69. 2002

MOMENTO LITERATURA IX

Cartas de Tereza 

Carta de Tereza destinada a Simão após o incidente com os empregados de Baltazar.

Na tarde desse dia recebeu Simão a seguinte carta de Tereza:

“Deus permitia que tenhas chegado sem perigo a casa dessa boa gente. Eu não sei o que se passa, mas há coisa misteriosa que eu não posso adivinhar. Meu pai tem estado toda a manhã fechado com o primo, e a mim não me deixa sair do quarto. Mandou-me tirar o tinteiro; mas eu felizmente estava prevenida com outro. Nossa Senhora quis que a pobre viesse pedir esmola debaixo da janela do meu quarto; senão eu nem tinha modo de lhe dar sinal para ela esperar esta carta. Não sei o que ela me disse. Falou-me em criados mortos; mas eu não pude entender… Tua mana Rita está-me acenando por traz dos vidros do teu quarto…
Disse-me agora tua mana que os moços de meu primo tinham aparecido mortos perto da estrada. Agora já sei tudo. Estive para lhe dizer que tu aí estás; mas não me deram tempo. Meu pai de hora a hora dá passeios no corredor, e solta uns ais muito altos.
Ó meu querido Simão, que será feito de ti?… Estarás tu ferido?
Serei eu a causa da tua morte?
Dize-me o que souberes. Eu já não peço a Deus senão a tua vida. Foge desses sítios; vai para Coimbra, e espera que o tempo melhore a nossa situação. Tem confiança nesta desgraçada, que é digna da tua dedicação… Chega a pobre: não quero demorá-la mais… Perguntei-lhe se se dizia de ti alguma coisa, e ela respondeu que não.  Deus o queira."




Amor de Perdição. Camilo Castelo Branco. Coleção a obra-prima de cada autor. Editora Martin Claret. Págs. 61-62. 2002

MOMENTO LITERATURA VIII

Amor de Perdição
Camilo Castelo Branco







Cidades onde acontece a história
É uma novela passional produzida em 15 dias pelo romancista Camilo Castelo Branco, no ano de 1862, durante sua permanência na cadeia de Relação em Porto/Portugal. Tem como fontes de inspirações fatos bibliográficos de seus impasses amorosos e também de seu tio paterno Simão Antônio Botelho, a partir de histórias que ouvia de sua Tia que o criou.
 A novela é fruto da Segunda Corrente do Romantismo em Portugal, neste sentido, carrega traços de amor extremista impossibilitando a vida sem a pessoa amada, possuindo um narrador na terceira pessoa predominante que assumi em diversos momentos o espírito dos atores ficcionais da trama, portanto, é uma obra de múltiplas vozes. Para dar veracidade aos fatos decorridos apresenta cartas enviadas pelos protagonistas da história prisioneiro de apaixonado Simão e encasulada Tereza.
A história acontece simultaneamente nas cidades Viseu, Coimbra e Porto em Portugal, e conta a triste historia de amor dos jovens Simão Botelho (tio de Camilo Castelo), Tereza Albuquerque, filhos de vizinhos que se odeiam, e Mariana a filha do ferreiro. Simão após ser preso (por arruaça) e solto, e concluído seu ano letivo da faculdade em Coimbra regressa para casa para viver as duras penas por seus atos de seu pai o juiz Domingues Botelho e de sua mãe Rita. Que se apaixona por uma linda moça vizinha, ao reparar na janela da casa vizinha, que o faz mudar radicalmente levando a admiração de sua mãe, pela infelicidade Tereza era a filha única de um homem chamado Tadeu Albuquerque que seu pai havia confrontado nos tribunais em favor de um ferreiro chamado João, pai de Mariana.   
O amor vivendo as escondidas e separados por duas janelas faz brotar os mais nobres sentimentos nos personagens, no jovem anarquista um senso de estrema responsabilidade e na pequena menina o desejo de amar, fato que por meses foi desconhecidos para seus entes próximos e para os amigos. O revelar desta paixão acontece no regresso de Simão á Coimbra, quando nos diálogos mediados pelas janelas Tereza e Rita irmão casula e preferida de Simão ficam amigas, sendo descobertas por um descuido de Rita na voz que é ouvido por seu pai Domingues que fica irado com tal amizade e ofende a pobre moça da janela ao lado.
As ofensas são distribuídas pelos Albuquerque e Botelho a desprezar a paixão de seus filhos em nome de sua desavença pessoais. Tereza é que tem o fardo pesado por sua paixão, pois, seu pai receoso articula conceder sua mão a seu primo Baltazar ou trancá-la em um convento através de sua recua. Diante destes fatos os diálogos e notícias dos amantes acontecem através de cartas carregadas com sofrimentos e juras de amor.
Simão, após descobrir os acontecimentos trágicos destinados a Tereza, parte em inúmeras tentativas de vê-la pessoalmente e roubá-la, fato que jamais aconteceu antes de seus familiares descobrirem sua paixão, conhece Coutinho Baltazar que se odeiam a primeira vista, e também o ferrador João e sua filha que gratos pela ajuda de seu pai se tornam fortes aliados nestas tentativas vás.  
Baltazar torna-se um tormento, com seus sentimentos egoístas e ambiciosos, na vida dos amantes, que constantemente aconselha seu tio castigos cruéis a nobre Tereza. Mariana uma pobre nutres os mais intensos sentimentos de amor por Simão ao ponto de ser anular para vez o amado feliz ou mais próximo desta realidade. O primo de Tereza apesar de tentar várias vezes eliminar Simão, é morto por ele quando Tereza enfim e trancada no Convento, por recusar a se casar sem amor.
Apesar do incentivo a fugir Simão recusasse a fugir do flagrante, fato, que o levará para a prisão. Na cadeia passa a ter como companhia as cartas de Tereza e os visitantes João e Mariana, uma vez que recursa-se sua própria família por tê-lo abandonado. Apesar de tristeza e decepção com seu filho Domingues consegue ajudá-lo mando por 10 anos para servir na Índia, matando definitivamente a possibilidade do amor entres Tereza e Simão, e de Marina que agora órfã também de pai ver se desesperada com a notícia.

Mesmo contra seu querer Simão é deportado para Índia na companhia de Mariana, que vendeu tudo para acompanhá-lo, deixando moribunda apaixonada Tereza para trás. Do navio recebeu cartas de Tereza ficando doente por nove noites falecendo. Ao ser jogando ao mar Mariana joga-se em seguida morrendo por amor abraçada ao corpo de Simão. 

domingo, 17 de maio de 2015

MOMENTO LITERATURA VII

Comédia Humana

Literatos! Chorai-me, que eu sou digno
Da vossa gemebunda e velha táctica!
Se acaso tendes crimes em gramática,
Farei que vos perdoe o Deus benigno.

Demais conheço a prosa inflada, enfática,
Com que chorais os mortos; e o maligno
Desafecto aos que vivem… Não me indigno…
Sei o que sois em teoria e em prática.

Quando o avô desta vã literatura
Garret, era levado á sepultura,
Viu-se a imprensa verter prantos sem fim…

Pois seis dos literatos mais magoados,
Saíram, nessa noite embriagados,
Da crapulosa tasca do Penim.



Tomás Ribeiro

Ao cantor de D. Jaime era ousadia
Dedicar uns insípidos sonetos,
Bem pálidos, mesquinhos esbocetos
Dos Ridículos grandes d’hoje em dia.

A ti que ileso passas nesta orgia,
Modesto, honrado e amado, que amuletos
Te salvam destes pântanos infectos
Em que chafurda a esquálida anarquia?

Tantas vezes Governo!... E não tens pejo
De ser pobre, ó Tomás?... Isto que vejo
Me inspira o vaticínio que registro:

Dirão de ti as porvindouras eras:
“Ministro pobre em Portugal! Quimeras!...
Ou viveu farto, ou nunca foi ministro!”
.

MOMENTO LITERATURA VI

Breve introdução sobre a vida de Camilo Castelo Branco







Camilo Castelo Branco é um escritor português que nasceu no dia 16 de março de 1825 na cidade de Lisboa, filho de Manuel Joaquim Botelho Castelo Branco e de Jacinta Rosa do Espírito Santo Ferreira, ficando órfão de mãe com um ano e de pai com 10 anos. Após a morte de seu pai foi criado com uma tia e depois com sua irmã mais velha. O escritor português contribuiu com suas escritas como historiador, tradutor, critico, além das atuações como romancista, cronista e dramaturgo em Portugal. No reinado do Dom Luís I foi intitulado como 1º Visconde de Correia Botelho.
No ano de 1841, casou-se com Joaquina Pereira tendo uma filha chamada Rosa, um casamento breve. Em 1843 ingressou na Escola Médico-Cirúrgica na cidade de Porto, mais não conclui o curso pela vida boemia. Camilo Castelo Branco foi um dos poucos escritores de sua época e viverem exclusivamente da paixão pela escrita. O ano de 1845 foi marcado pelas primeiras publicações literárias do autor, publicações entre poesias obras literárias. No ano seguinte conheceu Patrícia Emília fugindo juntos para viver o amor, não tendo durado mais que alguns anos também teve com ela uma filha chamada Bernardina Amélia. Em 1847 sua primeira esposa faleceu, um ano após filha pareceu.
Cinco anos após Camilo Castelo Branco passa por um crise espiritual indo morar em um seminário no Porto, tentativa de falha pois neste ano conhece Ana Palácio, esposa de um comerciante, que também se apaixona e decide viver este amor proibido, abandona o casamento em 1859 para fugir com Camilo. No ano seguinte o romancista é acusado e preso por adultério, sendo absorvido vivendo definitivamente com Ana. No ano de 1889, Camilo é homenageado por suas obras pela Academia de Lisboa.
Possuir uma vida de sucesso literário não afastou os maus sentimentos de Camilo Castelo Branco ao receber a triste noticia que havia contraído uma doença nos olhos que aos poucos lhe roubaria a visão. Quando recebeu o diagnóstico definitivo que ficaria cego ficou desconsolado decide suicida-se no dia 1 de junho de 1890, na cidade de São Miguel.

As obras


Camilo Castelo Branco é um grande novelista português, suas obras escritas entre as décadas de 50 e 80 do século XIX e importante nome na Literatura Portuguesa. As temáticas de suas obras românticas não se baseiam apenas no amor, também abordam temas como: bastardia, orfandade, relações familiares, reflexões cristãs e sobre anticlericalismo.  Nos anos cinquenta podemos citar exemplares como “Mistérios de Lisboa” (1854), “Duas épocas na vida” (1854), “O livro negro do padre Dinis” (1854) e “Carlota Ângela” (1858). Dos anos sessenta temos as obras “A morta” (1860), “O romance de um homem rico” (1861) “Doze casamentos felizes” (1861), “Amor de perdição” (1862), “Amor de salvação” (1864), “O olho de vidro” (1866) e “O retrato de Ricardina” (1868). Do anos setenta citamos a obra  “A mulher fatal” (1870), “O livro de Consolação”(1872), “A infanta Capelista (1872) e “A filha de Regicida” (1874). E por fim dos nos oitenta “A corja” (1880) e “A senhora Rattazzi” (1880).

Referências 


sexta-feira, 1 de maio de 2015

MOMENTO LITERATURA V




Hoje dia 1º de maio conhecido como o “Dia Internacional do Trabalhador” é também uma data festiva nacional em homenagem ao importante escritor romancista brasileiro chamado José Alencar, neste dia comemoramos o “Dia da Literatura Brasileira”. José Alencar é considerado o percursor do romantismo brasileiro.

José Martiniano de Alencar nasceu em 1º de maio de 1829 em Messajana (hoje bairro da cidade de Fortaleza) no estado do Ceará e veio a falecer no dia 12 de dezembro de 1877 no Rio de Janeiro. O escritor romancista é filho do senador José Martiniano Pereira de Alencar e de Ana Josefina de Alencar. Antes de iniciar a vida como escritor atuou como advogado, jornalista, deputado e ministro da justiça.

Em suas obras literárias abordou em suas entre linhas temáticas e personagens do contexto social do povo brasileiro, é constante a presença do indígena, do povo e histórico do sertão brasileiro. A escolha de suas temáticas o diferenciou dos demais autores romancista, pois ao abordar o contexto local demonstrou valorização ao nacional contrário aos demais que escreviam a partir do contexto de Portugal. No ano de 1856, publicou “Cartas sobre a Confederação dos Tamoios”, ano da publicação livro “Cinco Minutos”.





Dentre suas mais importantes obras ou como são conhecidos romances de costumes estão: Diva, Lucíola, A Viuvinha, O Sertanejo, O Tronco de Ipê, o Gaúcho, Til, As Minas de Prata, A Guerra dos Mascates, Nas asas de um anjo, O demônio familiar dentre outros. Certamente as obras mais conhecidas pelos leitores foram o Guarani e Iracema, que retratam os cenários nacionais e seus personagens possuem os índios e índias como heróis e homem branco como vilão da saga. Em tramas que envolvem romances e análise social.