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segunda-feira, 22 de junho de 2015

MOMENTO LITERATURA XII

Concepções Do Amor E Idealização Da Mulher No Romantismo Considerações A Propósito De Uma De Michelet 
           A presente resenha visa apresentar o artigo da historiadora Emília Viotti da Costa, denominado “Concepções do amor e idealização da mulher no romantismo considerações a propósito de uma de Michelet”. A historiadora é professora emérita da América Latina da Universidade de Yale (EUA) e da Faculdade de filosofia, letras e ciências humanas de USP (Universidade de São Paulo). É autora de livros como: “Da monarquia à república, da senhora à Colônia” e “A abolição, Coroas de glória, lágrimas de sangue”.
          Neste artigo a autora esboça as dificuldades dos historiadores de manter-se fieis ao tempo histórico dos documentos por eles estudados, do modo que suas análises não interfiram nas ideias, valores ou sentimentos, de outras épocas. Afirmando que dos setores da história a mais difícil abordagem é o da Historia da Sensibilidade. Em que os documentos analisados pelos historiadores deste campo teórico são manuscritos como: cartas, memorias, diários e obras literárias e outros documentos iconográficos.  A dificuldade reside na utilização destes documentos e também em saber qual seria o significado das palavras, pois como o passar do tempo da época em que foram escritos e outras permanecem como seus significados originais, fora que outras estão em desusos. Outro problema dar-se na generalização apressada de todo os documentos. É comum, de acordo como a autora, as individualidades pessoais em todos os ramos de atividades profissional e nem todas as inclinações sobre os ícones estudados. Mesmo quando a análise parte de obras famosas a dificuldades e não padronização ainda reside.
          A autora esboça uma discursão sobre a análise de um problema concreto, por exemplo, as concepções do amor e da idealização da mulher no Romantismo. Considerando as concepções de amor, transmitido ao longo dos anos, de modo que e necessário uma análise minuciosa dos ícones em diferentes contextos em uma mesma época. É frequente que os historiadores se estranharem como os sentimentos das obras por retratarem os sentimentos diversos de um(a) autor(a) em desusos ou concepção do contexto social vigente. O amor retratado além de representar uma sociedade também é idealizado por um grupo particular dentro deste contexto. O grupo retratado desta sociedade não apenas transborda seus sentimentos românticos em suas entre linhas, fazem também uso frequentes de análises e críticas dos sentimentos e da sociedade.
           Além de românticos temos os autores clássicos que fogem deste amor idealizado em nome da razão, característica do movimento anterior, apresenta-se com qualidades acidentais como afirma a autora. São outro problema para os historiadores, ou seja, o momento de transição de correntes sociais. O Romantismo movimento de fuga, paixões extremas e desejos ardentes de amar, traz uma leitura diversa da sociedade do século XVIII. O amor é direcionado a uma figura feminina como ser perfeito, perfeição do bem e do mal ao mesmo tempo, características que encontramos os autores Georg Sand, Lamartine e Hugo, Richardson e Charles de Lacleo.
           O ser feminino é o objeto de desejo por ser o auge entre a união do mais puro bem e do mal, este ser é por hora a salvação como também o ser demoníaco. Anjo ao corresponder o amor e demônio por negar-se a amar. Ela é a vítima do contexto social e do azar de não ser amada. O sentimento do amor é o motivo  de estar próxima de Deus e também próxima do Diabo. A obra de Michelet apresenta todas as características do romantismo, como o amor deslumbrante, desejo de fuga do mundo e a figura ora endeusada ora demoníaca da mulher, além de uma critica social e por fim seu próprio eu.

          Considera-se que o historiador ao estudar as obras literárias de séculos passados enfrenta dificuldade como: vencer seus próprios preconceitos e leituras do contexto social, além de considerar que as fontes de estudos são reflexos de um grupo atuante dentro de um contexto social da época. O grupo dos românticos é além de tudo um grupo de críticos sociais dentro de um contexto, que pode considerar os valores desta sociedade necessários como supérfluos  de acordo com suas leituras de mundo. O papel do historiador da sensibilidade vai além de estimado compreender a época datada das obras, necessita-se também ler as características particulares dos autores estudados e de suas concepções.  

Fernanda Raíssa Souza Fernandes, acadêmica do 4º Período de Letras Português da Universidade Estadual de Montes Claros.