Concepções Do
Amor E Idealização Da Mulher No Romantismo Considerações A Propósito De Uma De
Michelet
A presente resenha visa apresentar o artigo da historiadora
Emília Viotti da Costa, denominado “Concepções do amor e idealização da mulher
no romantismo considerações a propósito de uma de Michelet”. A historiadora é
professora emérita da América Latina da Universidade de Yale (EUA) e da
Faculdade de filosofia, letras e ciências humanas de USP (Universidade de São Paulo).
É autora de livros como: “Da monarquia à república, da senhora à Colônia” e “A
abolição, Coroas de glória, lágrimas de sangue”.
Neste artigo a autora esboça as dificuldades dos historiadores
de manter-se fieis ao tempo histórico dos documentos por eles estudados, do
modo que suas análises não interfiram nas ideias, valores ou sentimentos, de
outras épocas. Afirmando que dos setores da história a mais difícil abordagem é
o da Historia da Sensibilidade. Em que os documentos analisados pelos
historiadores deste campo teórico são manuscritos como: cartas, memorias, diários
e obras literárias e outros documentos iconográficos. A dificuldade reside na utilização destes documentos e
também em saber qual seria o significado das palavras, pois como o passar do
tempo da época em que foram escritos e outras permanecem como seus significados
originais, fora que outras estão em desusos. Outro problema dar-se na
generalização apressada de todo os documentos. É comum, de acordo como a autora,
as individualidades pessoais em todos os ramos de atividades profissional e nem
todas as inclinações sobre os ícones estudados. Mesmo quando a análise parte de
obras famosas a dificuldades e não padronização ainda reside.
A autora esboça uma discursão sobre a análise de um
problema concreto, por exemplo, as concepções do amor e da idealização da
mulher no Romantismo. Considerando as concepções de amor, transmitido ao longo
dos anos, de modo que e necessário uma análise minuciosa dos ícones em
diferentes contextos em uma mesma época. É frequente que os historiadores se
estranharem como os sentimentos das obras por retratarem os sentimentos
diversos de um(a) autor(a) em desusos ou concepção do contexto social vigente. O
amor retratado além de representar uma sociedade também é idealizado por um
grupo particular dentro deste contexto. O grupo retratado desta sociedade não
apenas transborda seus sentimentos românticos em suas entre linhas, fazem também
uso frequentes de análises e críticas dos sentimentos e da sociedade.
Além de românticos temos os autores clássicos que
fogem deste amor idealizado em nome da razão, característica do movimento
anterior, apresenta-se com qualidades acidentais como afirma a autora. São outro
problema para os historiadores, ou seja, o momento de transição de correntes
sociais. O Romantismo movimento de fuga, paixões extremas e desejos ardentes de
amar, traz uma leitura diversa da sociedade do século XVIII. O amor é
direcionado a uma figura feminina como ser perfeito, perfeição do bem e do mal
ao mesmo tempo, características que encontramos os autores Georg Sand,
Lamartine e Hugo, Richardson e Charles de Lacleo.
O ser feminino é o objeto de desejo por ser o auge
entre a união do mais puro bem e do mal, este ser é por hora a salvação como também
o ser demoníaco. Anjo ao corresponder o amor e demônio por negar-se a amar. Ela
é a vítima do contexto social e do azar de não ser amada. O sentimento do amor
é o motivo de estar próxima de Deus e também
próxima do Diabo. A obra de Michelet apresenta todas as características do
romantismo, como o amor deslumbrante, desejo de fuga do mundo e a figura ora endeusada
ora demoníaca da mulher, além de uma critica social e por fim seu próprio eu.
Considera-se que o historiador ao estudar as obras literárias
de séculos passados enfrenta dificuldade como: vencer seus próprios preconceitos
e leituras do contexto social, além de considerar que as fontes de estudos são reflexos
de um grupo atuante dentro de um contexto social da época. O grupo dos românticos
é além de tudo um grupo de críticos sociais dentro de um contexto, que pode
considerar os valores desta sociedade necessários como supérfluos de acordo com suas leituras de mundo. O papel
do historiador da sensibilidade vai além de estimado compreender a época datada
das obras, necessita-se também ler as características particulares dos autores
estudados e de suas concepções.
Fernanda Raíssa Souza Fernandes, acadêmica do 4º Período de Letras Português da Universidade Estadual de Montes Claros.