Comédia Humana
Literatos!
Chorai-me, que eu sou digno
Da vossa
gemebunda e velha táctica!
Se acaso
tendes crimes em gramática,
Farei que
vos perdoe o Deus benigno.
Demais
conheço a prosa inflada, enfática,
Com que
chorais os mortos; e o maligno
Desafecto
aos que vivem… Não me indigno…
Sei o que
sois em teoria e em prática.
Quando o avô
desta vã literatura
Garret, era
levado á sepultura,
Viu-se a
imprensa verter prantos sem fim…
Pois seis
dos literatos mais magoados,
Saíram,
nessa noite embriagados,
Da crapulosa
tasca do Penim.
Tomás Ribeiro
Ao cantor de
D. Jaime era ousadia
Dedicar uns
insípidos sonetos,
Bem pálidos,
mesquinhos esbocetos
Dos
Ridículos grandes d’hoje em dia.
A ti que
ileso passas nesta orgia,
Modesto,
honrado e amado, que amuletos
Te salvam
destes pântanos infectos
Em que
chafurda a esquálida anarquia?
Tantas vezes
Governo!... E não tens pejo
De ser
pobre, ó Tomás?... Isto que vejo
Me inspira o
vaticínio que registro:
Dirão de ti
as porvindouras eras:
“Ministro
pobre em Portugal! Quimeras!...
Ou viveu
farto, ou nunca foi ministro!”
.
Nenhum comentário:
Postar um comentário
Os comentários serão sempre avaliados se o ter do texto for inapropriado será deletado.